Ética pessoal e eticidade social

“Decidir que proteção é adequada para a salvaguarda dos interesses do embrião humano, em primeiro lugar, e depois dos interesses da sociedade e da ciência, é questão de ética essencial e a Convenção entrega-se à ponderação ética de cada uma das socioculturais presentes nos 44 países do Conselho da Europa.

Nesta ponderação há lugar para a invocação da ética individual, que diz respeito ao que a pessoa, em sua autoconsciência, decide em relação ao embrião in vitro, E há lugar para a intervenção da ética social na participação de todas as posturas éticas ligadas a valores socioculturais, presentes nas sociedades modernas, democráticas e plurais.

A tensão entre ética individual e éticas sociais é não só inevitável como saudável para dar a cada um o espaço necessário à sua realização, simultaneamente como pessoa e como membro de uma sociedade civil, politicamente organizada em Estado. São responsabilidades de nível diferente, mas ambas importantes, quer a pessoa seja um cidadão comum, um investigador, um profissional de saúde, um filósofo, um jurista ou um detentor de poder político.

É no exercício desta tensão entre a ética pessoal e a eticidade social que terá de ser encontrada a forma adequada de proteger o embrião humano em Portugal.”

Levando em consideração o anteriormente citado, e ao analisar o que existe sobre o assunto, até a presente data, não podemos deixar de constatar que há uma defasagem entre o que dispõem textos legais e os resultados impostos à sociedade pela tecnociência pelo mero fato de terem velocidades muito diferentes.

Como lidar com isto é a questão. A ciência, a técnica, devem estar a serviço do homem e, será somente sob o enfoque interdisciplinar, que poder-se-á examinar os progressos biomédicos, meditando-se intensamente sobre o respeito incondicional à dignidade do homem, encontrando os limites legais seguros em seara tão pantanosa.

 Roberto Wider