D. Pedro II – Um monarca a ser celebrado

 

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Sempre que me lembro da minha querida Petrópolis (onde fui criado, fiz todos os meus estudos e ainda exerci por um tempo a magistratura), não tenho como dissociá-la da “Cidade Imperial”! E no momento em que se aproxima o aniversário de nascimento de D. Pedro II (02 de dezembro), petropolitano de alma, impõe-se uma reflexão que faça justiça à sua figura “tão estudada, debatida, louvada e agredida” (1).

Durante toda a sua existência os jovens petropolitanos sempre brincaram, passearam e namoraram nos jardins do Palácio Imperial, sem nada conhecerem sobre a vida da família imperial na cidade (e para muitos assim é até hoje…).

Muitos são os seus críticos, notadamente os republicanos, sem que conhecessem o seu espírito democrático, na linha adotada na primeira constituição brasileira, promulgada por D. Pedro I no dia 25 de março de 1824, a qual continha a inovação do Poder Moderador adotado no sistema monárquico-parlamentarista britânico.

Desde o princípio pela atuação do seu pai D. Pedro I, a quem se atribui a pérola humanista “Eu sei que o meu sangue é da mesma cor que o dos negros”, a família imperial se colocava contra a escravidão, tendo Petrópolis figurado como cidade vanguardeira no país na emancipação dos escravos, extinguindo-se ali a escravidão, em cerimônia realizada no Palácio Cristal em 01 de abril de 1988, com a entrega dos últimos cento e três títulos de liberdade (v. Anuário do Museu Imperial, vol.1 – D. Pedro II em Petrópolis – Alcindo Sodré, pag.37).

Este mesmo anuário relata que D. Pedro visitava escolas públicas e colégios secundários, sem qualquer aviso prévio e examinava as crianças, conforme o nível do educandário, sobre matemática, português, história e até latim.

Também o imperador se interessava pela vida da cidade em vários aspectos, indo ao Paço Imperial e buscando saber sobre o sistema de contabilidade e polícia sanitária da administração local.

Além disso, tinha preocupações com a indústria e o problema operário, visitando sempre as duas grandes fábricas da cidade, São Pedro de Alcântara e Petropolitana, indagando pelo estado da instrução das crianças ali empregadas e as condições de trabalho dos operários (idem, págs. 29/30).

Também criou e contribuiu diretamente com doações para o levantamento do hospital de Santa Teresa, para a Biblioteca Pública e para a Matriz de Petrópolis.

Segundo o historiador Lorenzo Aldé (D. Pedro II, quem explica? in Revista de História, 01/11/2012), “D. Pedro ajudou a incutir no Brasil princípios até então inéditos por aqui. Princípios considerados, na época, “civilizatórios”, que hoje qualificamos como “republicanos”: respeito ao interesse público, despersonalização da política, meritocracia”.

E mais adiante (impõe-se aqui uma reflexão para os tempos atuais) “Naquilo em que os valores do individuo não dependiam de negociação política, ele era exemplar. Recusava aumentos salariais, só viajava bancando-se do próprio bolso, aceitava os piores ataques da imprensa numa impavidez olímpica (e jamais repetida em toda a História da República), aceitava democraticamente a existência de um Partido Republicano em plena monarquia.”.

Isto já seria o suficiente para que os brasileiros tivessem uma postura de respeitosa reverência a este Monarca, mas, ainda há muito mais, como se colhe na conferência de Wanderley Pinho, acima citada, na referência feita às constantes pessoais de Pedro II, exaltando seu caráter de homem e o seu vulto de imperante:

 “um máximo de lealdade dentro das reservas hábeis que a política lhe pedia; honestidade baseada no desinteresse e na desambição próprias e no horror à desonestidade alheia; tolerância extrema, espírito de liberdade quase sem restrições; descuido do futuro pessoal e da sua dinastia, e cuidado sempre presente aos deveres de chefe de uma nação que queria fazer cada vez mais culta, mais rica, mais forte e mais feliz”.

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  1. Conferência pronunciada no Instituto Histórico de Petrópolis, pelo sócio efetivo Wanderley Pinho, a 2 de dezembro de 1939 in Anuário do Museu Imperial, vol 2.

Roberto Wider